Bush abandonou a diplomacia contruida por Clinton para o Oriente Médio

A política norte-americana para o Oriente Médio mudou radicalmente quando o republicano George W. Bush substituiu o democrata Bill Clinton na Casa Branca. Enquanto Clinton se empenhava pessoalmente na busca de uma solução negociada para o conflito árabe-israelense, seu sucessor desmontou a estrutura diplomática que se ocupava da questão.

A violência na região se agravou. Desde o início da intifada, há quase um ano, mais de 700 pessoas morreram, a maioria palestinos. Em meados de 2000, apesar dos esforços norte-americanos de mediação, o premiê israelense, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, encerraram sem acordo as negociações de paz em Camp David.

Enquanto se discutia uma maneira de retomar o diálogo, o líder do Likud (partido de direita), Ariel Sharon, provocou a revolta palestina ao visitar, com uma escolta armada, a Esplanada das Mesquitas, ou Monte do Templo — sítio de Jerusalém Oriental considerado sagrado por judeus e muçulmanos. Barak, prevenido sobre a provocação de Sharon, não impediu o gesto.

Até seu último dia na Casa Branca, Bill Clinton tentou reunir Arafat e Barak para reiniciar conversações de paz, sem sucesso. Depois da posse, em 20 de janeiro deste ano, Bush iniciou o desmonte da estrutura diplomática para a região, que incluía um posto de alto nível — coordenador especial para o Oriente Médio —, ocupado por Denis Ross.

Bush deixou claro que, na visão de sua administração, não cabia aos EUA tomar a iniciativa nem forçar negociações entre israelenses e palestinos; se as partes assim o desejassem, seu governo ajudaria.

Desmoralizado, Barak perdeu a eleição de 6 de fevereiro para Sharon, que fez sua campanha declarando "morte a Oslo" — os históricos acordos de paz dos anos 90. O prêmio Nobel da Paz Shimon Peres, tradicional adversário trabalhista de Sharon, aceitou ser seu ministro do Exterior em um governo de coalizão. Seria uma força de moderação dentro do governo, afirmou.

Com o subseqüente agravamento da violência nos territórios palestinos ocupados, Bush enviou à região o diretor da CIA, George Tenet, em junho. Um acordo de cessar-fogo foi assinado e entrou em vigor em 13 de junho. Apesar disso, a trégua nunca chegou a ser implementada totalmente. Um período de calma total de sete dias deveria preceder a volta de conversações de alto nível entre palestinos e israelense — calma que se provou inalcançável.

Esse período de transição foi exigido pelo governo Ariel Sharon para que iniciasse a implantação das recomendações da Comissão Mitchell — como ficou conhecido um grupo de observadores internacionais, liderado pelo ex-senador norte-americano George Mitchell, que investigou as causas da intifada.

Para os palestinos, a manutenção dos bloqueios econômico e militar impostos por Israel aos territórios agravou a revolta da população e contribuiu para o aumento do apoio de cidadãos comuns aos grupos extremistas islâmicos. Esse apoio cresceu com a política de Sharon de mandar executar militantes palestinos suspeitos de terrorismo.

O chefe da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), Abu Ali Mustafa, foi um dos militantes mortos pelo Exército israelense. Ele foi atingido por um míssil no dia 26 de agosto. Apenas quatro dias depois, um líder da Frente Democrática de Libertação da Palestina (FDLP), Khayis Abu Leila, escapou de um ataque israelense em Ramallah.

Os EUA condenaram a política de execuções de Sharon. No geral, porém, sua atuação na região diminuiu a um ponto em que a União Européia tomou a frente das ações internacionais em busca de uma solução negociada.

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