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As oportunidades para quem se preparar
(Jornal do Economista, 2001-11-02)

Os economistas poderiam atuar muito mais na área de elaboração e análise de projetos, da mesma forma que contadores, engenheiros, agrônomos e administradores - mas não procuram especialização. Outro campo bastante fértil é a consultoria em comércio exterior, onde há um diferencial teórico de economia, de macro-economia, planejamento e administração para profissionais com habilitação no setor.

Os economistas também podem dar consultoria para empresas que querem exportar, uma área tão importante que o governo criou a Rede Nacional de Agentes de Comércio Exterior – uma ação articulada da Secretaria de Comércio Exterior - Secex, voltada para a difusão e consolidação de cultura exportadora no País, com o objetivo de incrementar as exportações.

Quem dá essas dicas é Saumíneo da Silva Nascimento, 33 anos, economista, analista de negócios e agente de exportações do Banco do Nordeste. Saumíneo está preocupado com o fato de o economista ser mais funcionário público e depender fortemente do emprego formal. "Tudo porque na Faculdade não são preparados para os desafios da economia real. Aprendem economia internacional, teoria das vantagens comparativas, mas não o operacional – em empresas, mercados, balança comercial priorizando setores, economia agrícola, administração rural etc."

Diz que apenas 36,4% dos economistas estão exercendo a profissão, conforme recente pesquisa do Cofecon, destacando-se atividades de planejamento empresarial ou gestão financeira; com o setor público sendo o maior empregador – representando 45,6%.

O grau de satisfação dos economistas com a profissão é bom, mas muda quando se discute remuneração e perspectivas de ascensão profissional. Julgam-se mal remunerados (média de R$ 3.800), mas mudam pouco de emprego. Dificilmente sobrevivem como profissionais liberais (na pesquisa apenas 9,6% são autônomos) por não terem sido preparados para tanto.

Do lado do ensino, a demanda pelos cursos de Economia tem sido reduzida. No campo das Ciências Sociais, hoje ela é maior por Direito (pode ser promotor, juiz, advogar), Administração (amplo mercado), e Contabilidade (pode abrir escritório). Um exemplo dramático: no edital do concurso do Banco Central há mais cargos para alunos de Direito do que de Economia. Outro: o número de registros de economistas nos Conselhos tem sido menor, situação que se agrava com elevado número de pedidos de saída.

Ensinar a empreender

O que pode ser feito? Muito, segundo Saumíneo. Conta que iniciou suas atividades como professor este ano na UFSE. Embora ainda jovem (tem 33 anos), a primeira coisa que fez foi levar para a sala-de-aula temas como a Alca, crise do capitalismo... E, neste 2º semestre, conseguiu introduzir duas cadeiras específicas no Depto. de economia da UFSE: a de Comércio Exterior e a de Elaboração e Análise de Projetos.

"Trata-se de ensinar um pouco do ponto de vista empresarial – com um mínimo de teoria visando formar pessoas que serão empregadores e formar empreendedores". As oportunidades nessas áreas podem aparecer quando se está cursando. Por exemplo: se fôsse negociar com a Argentina precisaria saber que hoje a venda não tem seguro; se fôsse vender para os EUA, teria cotas... Também precisaria saber: Por que as importações de bens de capital crescem?; Como melhorar o resultado? São aspectos que requerem conhecimento prévio, para poder atuar no setor.

Saumínio também está engajado no projeto "Rede Nacional de Comércio Exterior" (www.redeagentes. com.br), iniciado no ano 2000. Já foram capacitados 30 formadores e 890 agentes em todos os Estados da Federação, que estão atuando como orientadores e difusores de conhecimentos básicos para realizar uma exportação. Público alvo: micros, pequenas e médias empresas – PME’s, identificando produtos que possam constituir oportunidades de exportações, pois hoje elas representam menos de 5% do total. Isso apesar da pauta brasileira ser muito concentrada e o universo de exportadoras pequeno, em torno de 16.000 empresas.

Abre-se aí um campo promissor para os economistas junto a instituições como Secretarias Estaduais de Indústria e Comércio; Federações de Indústria; unidades federativas do Senai e Sebrae; Cooperativas; Sindicatos; Consórcios de Exportação; Banco do Brasil; Banco do Nordeste; BRDE; Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT; Prefeituras Municipais.

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