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Empresas têm elevado investimento em informática, aponta pesquisa
(Valor Online, 2002-03-25)

A parcela da receita que as empresas destinam a investimentos em informática tem aumentado, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No começo de 2001, os gastos com tecnologia da informação eram 4,2% da receita líquida das cerca de 1,2 mil médias e grandes empresas analisadas pelo estudo da FGV. Decorrido um ano, a proporção passou para 4,5%. 

" As pessoas esperavam que os gastos recuassem depois do pico dos investimentos com o bug do milênio " , disse o pesquisador Fernando Meirelles. " Mas a tendência é de que os gastos não parem de crescer " , complementou. 

O professor acredita que a proporção cresça para 4,8% em janeiro de 2003. Nos Estados Unidos, o índice está em 8%. " Estamos dois ou três anos atrás " , disse. 

Ele prevê que o indicador brasileiro tenda a convergir para o padrão americano, e se estabilize em torno de 10% em cerca de 7 anos. Neste ponto, afirmou, a informática estará tão intrinsicamente ligada aos processos de outros setores das empresas que o índice pode perder sua utilidade. 

A pesquisa mostra que os maiores investimentos na área, proporcionalmente à receita, foram feitos pelo setor de serviços. Liderança que, por sua vez, veio da área bancária, um segmento que gastou em informática, em média, 9,7% de sua receita líquida. 

Não concidentemente, foi um dos setores que mais lucrou no ano passado, apontou Meirelles. " É o único setor onde houve correlação entre investimentos em informática e lucro. Quanto maior o investomento, maior o lucro " , afirmou. 

Segundo a pesquisa, enquanto a indústria gastou 3% de sua receita em informática e o comércio destinou 2%, as empresas de serviços empregaram 7%. 

A pesquisa também calculou o Custo Anual Por Teclado (CAPT) nas empresas, uma medida, substituta do amplamente utilizado TCO (Total Cost of Ownership, ou Custo Total de Propriedade), usada para avaliar qual o gasto anual que cada máquina requer em hardware, software e serviços de manutenção. 

Segundo Meirelles, o CAPT no Brasil está em torno de US$ 12 mil. Ele acredita que o indicador, que se manteve constante nos últimos anos, vá cair, no curto prazo, para cerca de US$ 10 mil, número próximo ao verificado nos Estados Unidos. 

Mas a tendência estrutural, avaliou, é que depois disso o indicador volte a crescer, com o aumento dos gastos de informática e a estabilização do número de máquinas - as empresas brasileiras já alcançaram a marca de 1,1 usuário por computador.

 




Comércio eletrônico entre empresas cresceu 2,8 vezes em 2001, diz FGV
(Valor Online, 2002-03-25)

O comércio eletrônico entre empresas, o chamado business-to-business (B2B), cresceu 2,8 vezes no Brasil em 2001, segundo mostra a 4ª edição da Pesquisa de Comércio Eletrônico no Mercado Brasileiro, coordenada pelo professor Alberto Albertin, da FGV-Eaesp. Esperava-se um crescimento de entre 3 a 4 vezes, frustrado, principalmente, pelos problemas econômicos no Brasil e no resto do mundo, disse Albertin.

Segundo o estudo, o mercado de B2B movimentou 1,18% de tudo o que foi transacionado entre empresas. Em 2001, a participação do comércio eletrônico estava em 0,42%. O mercado de business-to-consumer (B2C) cresceu 2,5 vezes e passou a responder em 2001 por 0,35% do total transacionado entre empresas e consumidores. No total, são dois segmentos que movimentaram entre US$ 1,6 bilhão e US$ 2,1 bilhão em 2001, conforme as previsões de Albertin. 

Apesar de menores que os esperados, os números mostram que o comércio eletrônico brasileiro segue uma tendência consistente de crescimento, avalia o professor. Mas as empresas aumentaram a cautela com o estouro da bolha da internet e passaram a avaliar melhor os gastos na área, limitando os investimentos a projetos que esperam ser rentáveis. 

São, em grande parte, empreendimentos que possibilitam o comércio eletrônico entre empresas e fornecedores. A pesquisa mostra que cerca de 45% das empresas usam a internet para comprar suprimentos e matérias-primas. 

Projetos de atendimento ao cliente continuam sendo os campeões - cerca de 80% das companhias prestam algum tipo de atendimento ao consumidor pela internet.  

A pesquisa mostra que os investimentos no mercado eletrônico mantiveram-se estáveis em 2001 no comércio e na indústria. O comércio continuou a investir 0,49% de sua receita líquida no setor. A indústria destinou 0,27%. 

O setor de serviços empregou mais recursos na área. De aproximadamente 0,9% da receita líquida em 2000, os investimentos passaram a 1,05% em 2001, com predominância de aportes vindos de bancos. Padrão de gastos semelhante foi observado no ano passado no mercado de informática em geral. 

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(Valor Online, 2002-03-25)

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