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Internet já vicia tanto quanto heroína
(Agência Lusa, 2002-04-01)

O número de pessoas viciadas na internet já supera, em alguns países industrializados, o dos dependentes de heroína.

Segundo Hurbert Poppe, médico austríaco de uma clínica especializada em curas de desintoxicação para alcoólicos e toxicodependentes, calcula-se que cerca de 3% dos usuários regulares da internet desenvolvam algum tipo de dependência. Ele chama a atenção para a necessidade de se tomar medidas urgentes contra esta nova doença.

De acordo com o médico, trata-se de um tipo de dependência que não está relacionada com uma substância determinada, sendo semelhante à ludopatia dos jogadores compulsivos e afeta sobretudo pessoas que vivem sozinhas, tímidas e com inclinação para desenvolver dependência.

Poppe explicou no simpósio "A dependência hoje em dia: da heroína à internet" que o problema dos que se perdem numa realidade virtual é ficarem cada vez mais afastados do mundo físico sem que percebam.

Essas pessoas podem chegar a passar 40 horas seguidas navegando e dispensando até mesmo o sono, afirma.

Entre os sintomas característicos figuram a necessidade de aumentar progressivamente as doses (tempo de navegação), a redução dos interesses a uma campo muito restrito e a repetição de hábitos.

O afastamento em relação aos outros, nervosismo, irritabilidade ou depressões quando não podem ter acesso à internet são outros sinais que identificam um viciado na rede.

Segundo os especialistas, os ciber-dependentes rompem frequentemente relações amorosas porque para o viciado só faz sentido a vida passada no mundo virtual, desvalorizando as relações pessoais.

Os especialistas advertem que a dependência da internet manifesta-se por um desejo incontornável de ceder à web, pela perda de controle (navegar muito mais tempo do que aquele que se pretendia) e subsequente sensação de culpa, assim como por um comportamento conflituoso nas relações familiares e de amizade.

A estes sintomas juntam-se frequentemente a diminuição de rendimento no trabalho e a tentativa de ocultar ou minimizar o seu vício.

Esta dependência ocorre com frequência nas pessoas que sofrem de uma baixa auto-estima e nas que têm uma atração particular por jogos.

Conscientes da nova problemática, alguns especialistas elaboraram um catálogo de perguntas para poder diagnosticar a dependência da internet, doença que necessita de um tratamento individual, eventualmente com psicoterapia e medicamentos.

Para Poppe deveriam existir mais medidas de prevenção como, por exemplo, a inclusão nos sites de jogos e nos chats de um aviso sobre os perigos desta nova dependência.

Outra possibilidade será a celebração de acordos nas empresas sobre quanto tempo se pode passar na internet nos locais de trabalho e sobre a ajuda profissional a longo prazo para evitar as recaídas dos "doentes" após a terapia.

Por outro lado, os especialistas admitem que a internet pode ter um efeito positivo em situações psíquicas extremas.

De acordo com o perito austríaco já se conseguiram impedir suicídios anunciados graças á internet, sobretudo durante os fins-de-semana, porque os cibernautas intervieram de forma ativa para ajudar uma pessoa em perigo que manifestou on-line a sua intenção de se matar.

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(Agência Lusa, 2002-04-01)

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