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Mulheres conquistam o Mercado Financeiro
(copyright O Globo On Line, 2002-04-14)

No Banco do Brasil, por exemplo, há 5,9 milhões de mulheres na sua base de clientes, o que representa 43% do total da carteira de pessoas físicas. Elas já são responsáveis por 50% do total dos investimentos feitos no banco. Além disso, 49% dos depósitos em poupança estão em nome de mulheres. Pelo segundo ano consecutivo, a corretora Novação decidiu fazer uma promoção no mês do Dia Internacional da Mulher.


Conservadorismo é uma das principais características

As que já faziam parte da base de clientes tiveram 100% de abatimento da taxa de corretagem nas operações realizadas no dia 8. Além disso, até a última sexta-feira, a taxa foi reduzida pela metade, tanto para as clientes antigas quanto para as novas. A iniciativa teve resultados, uma vez que nos últimos dois anos a participação da mulher subiu de 10% para 40% do total de 17 mil clientes ativos.

- À medida que as mulheres conquistaram seu espaço no mercado de trabalho, elas adquiriram uma independência financeira maior. Assim, é natural que também fiquem responsáveis pelas finanças domésticas e, conseqüentemente, mais preocupadas em escolher o melhor lugar onde aplicar suas economias. disse Patrícia Cavaliere, gerente do Banco do Brasil.

Desde que começou a analisar o comportamento das investidoras, um dos aspectos que mais chamaram a atenção de Patrícia Cavaliere diz respeito à relação com o risco das aplicações. Segundo a gerente do Banco do Brasil, mais de 80% do público feminino que utiliza os produtos financeiros da instituição investem basicamente em fundos de renda fixa, que são considerados aplicações conservadoras.

A gerente de Internet e Fundos da Corretora Novação, Silvia Pierangeli, constatou que a base de clientes costuma apresentar algumas características em comum. Elas têm mais de 35 anos, são independentes financeiramente, na maioria dos casos são profissionais liberais, são casadas e evitam aplicações de risco.


Investidora sugere pesquisa de produtos na internet

- A mulher tende a ser mais conservadora nas suas aplicações, e faz o investimento pensando mais no longo prazo. Apesar dessas características em comum, não pensamos em lançar produtos específicos para investidoras. Aliás, acredito que nem elas estariam muito interessadas nesse tipo de diferenciação - disse a gerente da Novação.

Para a arquiteta Alexandra Lichtenberg, a pouca exposição ao risco passou a ser uma experiência recente. Nos últimos dois anos Alexandra se viu obrigada a reduzir suas posições em ações, devido ao pouco retorno proporcionado. Atualmente ela mantém 80% de sua carteira em renda fixa - sendo 30% em fundos pós-fixados - e os 20% restantes em ações.

A estréia da arquiteta como investidora foi em 1996, quando se separou do marido e se viu obrigada a cuidar das próprias finanças. No começo, a busca de informações na internet foi uma ferramenta fundamental. Mais tarde, após fazer cursos de especialização, passou a adquirir mais confiança. Atualmente, Alexandra Lichtenberg está totalmente afastada da arquitetura, e se dedica exclusivamente à administração do próprio patrimônio.


Ofertas da Vale e de títulos do Tesouro foram estímulo

- Acho que não existe diferença entre a maneira de homens e mulheres administrarem seus investimentos. Mas uma situação que ainda é muito comum no Brasil é o fato de a mulher deixar para o marido a função de administração da casa. Isso também ainda é comum nos Estados Unidos, que eu conheço bem por ser descendente de americanos - disse Alexandra.

De acordo com Silvia Pierangeli, da Novação, o mercado financeiro está passando por uma fase de maior atratividade para investidores iniciantes. O início das vendas de títulos públicos para pessoas físicas pelo Tesouro e a oferta de ações da Vale do Rio Doce foram dois eventos recentes que estimularam a entrada de novas pessoas no mercado.

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(copyright O Globo On Line, 2002-04-14)


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