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» Opinião |
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O papel do governo no
comércio eletrônico
(copyright New Democrats Online,
2002-04-25)
Há cerca de dois anos, quando tudo o que se relacionava com a tecnologia
da informação (TI) crescia a uma taxa exponencial, o governo permaneceu,
corretamente, nos bastidores, sem “fazer estrago” à medida que maciços
investimentos privados e mercados em rápida transformação se mantinham
muito à frente da política pública.
Mas agora está cada vez mais claro que o comércio eletrônico
(e-commerce) – a transformação de múltiplas práticas de negócios
pela internet – precisa de um empurrão por parte do setor público.
Também está claro que o crescimento do e-commerce poderia ser freado por
políticas governamentais pouco inteligentes, voltadas à proteção de
determinadas indústrias ou ao excesso de regulação no interesse público.
É hora de uma estratégia positiva para o e-commerce, e o vice-presidente
do PPI, Robert D. Atkinson, lançou um plano. “O Fracasso dos
Ciber-Libertários: Em Defesa de uma Estratégia Nacional para o
E-Commerce” (“The Failure of Cyber-Libertarianism: The Case for a
National E-Commerce Strategy”) explica porque falhas de mercado e
barreiras políticas exigem um papel inteligente e proativo do governo, no
sentido de encorajar o uso da tecnologia pelas empresas e consumidores
norte-americanos.
Atkinson coloca sete áreas nas quais o setor público precisa agir de
modo inteligente para manter viva a revolução da TI:
1.) P&D: do mesmo modo que, no início, o governo federal ajudou a
tornar possível a internet, agora ele deve desempenhar um papel-chave no
próximo estágio da pesquisa básica em TI, incluindo-se a internet-2 –
a internet de amanhã, mais rápida e poderosa. O investimento federal na
pesquisa em TI precisa ser duplicado: muito mais do que propôs a
administração Bush.
2.) Questões tipo “ovo ou a galinha”: há uma variedade de aplicações
de e-commerce nas quais as empresas estão esperando pelos consumidores e
os consumidores estão esperando pelas empresas. A autenticação online
da identidade é apenas um exemplo: não vale a pena para as empresas
reconhecerem identidades digitais se poucos as possuem, e não vale a pena
para os consumidores obtê-las se as empresas não as utilizam. O mesmo
vale para os “cartões inteligentes” para transações financeiras. O
governo precisa dar o impulso inicial para estas tecnologias,
utilizando-as em suas próprias transações com as empresas e os cidadãos.
3.) Setores Grandes: alguns setores econômicos nos quais as novas
tecnologias poderiam revolutionar as práticas de negócios são tão
descentralizados que nenhuma empresa sozinha pode dar o salto além das
transações que envolvem papel e contato pessoal. Mas o governo em geral
tem um grande papel como regulador ou comprador nestas indústrias, como
saúde e construção civil, e ele deveria usar seu poder para encorajar a
digitalização.
4.) Resistência da Gerência Média: uma ampla variedade de varejistas e
fornecedores de serviços, como vendedores de automóveis, agentes de
viagem, ortópticos, agências hipotecárias e distribuidores de vinhos,
buscaram a intervenção do governo para impedir a competição online. O
governo deveria não apenas perseguir uma política pró-consumidor no que
diz respeito à resistência da gerência média, mas também deveria
revisar doutrinas anti-truste, para fazer da capacitação dos
consumidores a chave para os casos de e-commerce.
5.) O e-commerce Internacional: todos os complicados assuntos que afetam o
e-commerce têm de ser resolvidos também em nível global. Isso significa
que o governo federal deve tornar a eliminação de barreiras ao
e-commerce um assunto importante em sua estratégia mais ampla de expansão
do comércio internacional.
6.) Governo Eletrônico: dado que o governo emprega mais de 17% da força
de trabalho e influencia pesadamente a economia como um todo, ele deveria
dar o exemplo, tornando-se um usuário de ponta das tecnologias da informação
para melhorar os serviços e cortar os custos. O governo federal, em
particular, precisa de um executivo de informação (Chief Information
Officer) que elabore e implemente um plano de transformação do governo
eletrônico.
7.) Acesso à internet: o governo deveria promover a “oportunidade
digital” através da maior utilização de organizações da comunidade
e de parcerias público-privadas que estimulem o maior uso de computadores
e da internet entre indivíduos e comunidades carentes.
O recado final é que devemos rejeitar tanto o ciber-libertarianismo –
que se opõe a qualquer papel do governo no e-commerce – como o
ciber-populismo, que procura impôr uma mão pesada do governo sobre a
internet para eliminar a competição e criar regulação em excesso, em
nome do interesse público.
Uma estratégia de e-commerce positiva porém limitada, que empregue o
governo para resolver falhas de mercado, ao mesmo tempo em que resista à
intervenção anti-competitiva é o caminho correto.
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(copyright New Democrats Online,
2002-04-25)
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