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Meio-ambiente, Saúde, Nutrição e Previdência:  mercados de trabalho promissores para o economista.
(Copyright Jornal do Economista, 2002-04-28)

Várias oportunidades se abrem para o trabalho do economista na área do meio-ambiente e preservação ambiental, tanto no setor público como no setor privado. A constatação é de Zilton Luiz Macedo, um dos mais renomados economistas especialistas no assunto, que inclusive vem tendo importante papel na qualificação profissional de jovens economistas.

Professor-Titular da PUC-SP e atuando hoje como consultor na área de Economia e Meio-Ambiente, Zilton tem um rol de serviços prestados: em 1970 trabalhou na Fesb – Fomento Estadual de Saneamento Básico (que deu origem à atual Cetesb). 

Zilton que fez curso de economia e meio-ambiente na Inglaterra em 1977 e foi convidado a fazer doutorado em Londres, privilegiou durante 23 anos (de 1975 a 1998) a atividade na Emplasa. Em 1985, em equipe com a Cetesb, participou do planejamento industrial no município, analisando as questões do meio-ambiente ("vários municípios buscavam atrair a industrialização, que impunha custos ambientais e sociais, tornando-os maiores e piores"). Em 1994 atuou na equipe que elaborou o Plano Metropolitano de Desenvolvimento da Grande São Paulo (de 1994 a 2004), e shopping-centers públicos, que simplificados se tornaram os atuais "Poupa Tempo".

Como consultor, fez trabalhos sobre temática ambiental para diversos Estados e no ano 2000 defendeu a tese de livre-docência na USP sobre "Os dilemas da Economia como Instrumento de Gestão Ambiental".

Segundo Zilton, a maior parte dos problemas ambientais tem origem na atividade econômica. Daí todos passarem a olhar os economistas como agentes capazes de propor medidas eficazes de recursos naturais e ambientais. 

A seu ver, nesse mercado de trabalho o economista tem algumas vertentes: 

No setor público, pode atuar na área de planejamento tanto urbano como regional ou federal. "Não dá para pensar em planejamento sem incluir recursos naturais e meio-ambiente". Também pode atuar nos órgãos ambientais na elaboração de normas preventivas sócio-econômicas – atrelando os empreendimentos públicos e seu rebatimento na qualidade de vida e sobre o meio-ambiente. Um campo novo no setor público é o desafio da viabilização de áreas de proteção ambiental (Apas), parques temáticos/ambientais e turismo ecológico.

Como consultor, pode assessorar os órgãos ambientais na análise dos impactos sócio-econômicos dos empreendimentos públicos e privados. Dá como exemplo o prolongamento da rodovia dos Bandeirantes, de Campinas até Cordeirópolis – a legislação exige o Rima - Relatório de Impacto sobre o Meio-Ambiente – onde ele mesmo se deparou com o problema de computar custos de manutenção e benefícios e por quanto tempo para a tomada de decisão.

Na iniciativa privada, nas empresas de consultoria, integrando equipes que elaboram estudos de impacto ambiental. Por exemplo: Zilton participou como consultor do governo do Espírito Santo na análise da instalação da Aracruz celulose na região. No Mato Grosso do Sul, na análise do Rima da fábrica da Champion Celulose em Três Lagoas. Na Bahia, colaborou no plano de desenvolvimento sustentável. E integrou a equipe que assessorou o Ministério dos Transportes na análise do Rima da rodovia Araguaia-Tocantins.

Outro filão é a elaboração de peritagem para o Ministério Público em processos relativos a danos ambientais nos aspectos que ferem a legislação. Basicamente, a atividade do economista é criar critérios que orientem os tomadores de decisão na gestão de conflitos que surgem na apropriação de recursos naturais pela atividade econômica.

A apropriação não é só na extração, mas na utilização de espaços para deposição de resíduos, da atmosfera para deposição de efluentes gasosos, e líquidos nos corpos de água. Além disso deve impedir que as decisões sejam tomadas numa visão de curto prazo e de rentabilidade econômica danifiquem para sempre recursos ou regiões inteiras – caso do café no Vale do Paraíba, da desertificação que está preocupando o Rio Grande do Sul; e do maior buraco na camada de ozônio do País, na região de Santa Catarina – causando câncer de pele. 

Especialização

Zilton conta que existem tanto cursos de pós-graduação latu sensu (1 a 2 anos), como cursos de especialização (3 meses a 1 ano) na USP, Unicamp, USP-Ribeirão Preto, Unesp etc. Lembra que o estudante de graduação em Economia, com a obrigatoriedade de fazer monografias tem mostrado interesse pelo meio-ambiente e tido sucesso profissional. 

Cita o caso de três alunos: 1) "Um fez uma monografia sobre "Turismo como atividade econômica para garantir a sustentabilidade de São Sebastião", foi para Israel como convidado; 2) outro, fez monografia sobre "Reciclagem do lixo", e está na Alemanha, a convite de uma empresa que produz fornos; 
3) outro, ainda, fez a monografia "Discutindo a garantia de sustentabilidade econômica para Ilhabela, e como viabilizar economicamente o município", e está fazendo doutorado em Barcelona.

Oportunidades em Saúde, Nutrição e Previdência.

Hoje há outras três importantes mercados de trabalho para os economistas nas áreas de Saúde, Nutrição, Seguros e Previdência Privada. Quem faz essas observações é Antonio Carlos Coelho Campino (foto), Economista com Doutorado na FEA/USP, Mestrado na Vanderbilt University (EUA). Campino fala com a autoridade de quem foi assessor regional de Saúde da Organização Pan Americana de Saúde, em Washington, (de 1989 a 1994), atuando nas áreas de Economia dos Alimentos e de Economia da Saúde; de atual Professor de Pós-graduação na FEA/USP na área de Saúde, além de presidente do Conselho de Administração da Brasil Assistência, ligada ao 
Mapfre, grupo segurador espanhol.

Diz que a área de Saúde tem enorme mercado pois todos os planos de saúde e de seguro saúde necessitam de profissionais para planejamento, e tanto as empresas como a própria Agência governamental que regula esses planos não estão aparelhados para trabalhar de maneira eficiente. Considerando que o Brasil gasta 7,5% do PIB em Saúde e os EUA 14% isso dá uma idéia do tamanho do setor para os profissionais de economia.

Aponta a área de Nutrição como um mercado em expansão, onde a análise econômica, o planejamento da produção e o de desenvolvimento de novos produtos são da maior relevância. Até 1975 o grande problema era a fome. No ano 2000 se resolveu o problema da subnutrição, mas o da nutrição (hipovitaminose, por exemplo) tem aumentado e a demanda na área de agribusiness é crescente. A agropecuária representa cerca de 8% do PIB (estimado pelo IBGE em R$ 1,2 trilhão em 2001).

Finalmente outro enorme mercado com crescimento acentuado do volume de operações são os setores de Seguros e Previdência Privada, onde ressalta a importância do patrimônio consolidado dos Fundos de Pensão (dados da Abrapp revelam que em 2001, as 291 Fundações associadas tinham Ativos de R$ 156 bilhões, 1.686 participantes ativos, 4.445 dependentes e 550,7 mil assistidos) e o desenvolvimento de novos produtos de Seguros, mais sofisticados e complexos. O que explica a enorme demanda por habilidades atuariais nos últimos anos, já que os planos não contam com tabelas precisas pois faltam economistas para avaliar dados. “Curiosamente acabou o curso de graduação em Atuaria, embora haja o de pós-graduação na Fipecafi/FEA. Talvez porque não dá para dizer que a Atuaria tem a ver com o ramo de seguros, de previdência privada e pública, finanças etc.”. 

“Quando me licenciei da Universidade em 1989 para exercer o trabalho de assessor da OPAS, aí começou meu interesse pela chamada economia social - envolvendo Alimentação, Saúde, Nutrição e Educação” diz Campino, hoje também Professor de Pós-Graduação na área de Saúde na FEA/USP e com diversos trabalhos de pesquisa e publicações na área de Saúde e Nutrição. 
Mas uma das coisas que mais se orgulha foi sua participação no desenvolvimento de cursos para essas novas áreas da economia social que hoje se transformam em importante mercado de trabalho para o economista. “Através da Fipe começamos a trabalhar na avaliação de programas como merenda escolar, alimentação do trabalhador etc. Até que em 1988, o então Reitor José Goldemberg criou o programa Interunidades, multidisciplinar, abrangendo questões de economia, saúde publica, nutrição, envolvendo as diversas Faculdades. Daí surgiram os programas de pós-graduação: Procam – Ciência Ambiental; Prolam - Integração da América Latina - envolvendo Direito Internacional, Economia, Sociologia etc.; e o Pronut – de Nutrição Humana Aplicada. O Pronut, por exemplo, objetiva integrar áreas relacionadas com a nutrição visando o aperfeiçoamento de diplomados em cursos de graduação em áreas afins, estimulando a ação multidisciplinar, ensino e pesquisa”.
Campino, além de representar o Depto. de Economia na Comissão de Pós-Graduação do Pronut/USP – Interunidades em Nutrição Humana Aplicada, já orientou duas teses de Doutorado e duas de Mestrado do programa. 

Ele explica que as disciplinas básicas do Pronut são: Economia da Alimentação e Nutrição, Fundamentos Biológicos de Nutrição Humana Aplicada, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Nutrição Clínica, Métodos Quantitativos em Análise Epidemiológica, Intervenções Nutricionais em Assistência Primária à Saúde, Epidemiologia das Deficiências Nutricionais. Além disso, envolve disciplinas da FEA - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (como elaboração e análise de Projetos); da FCF - Faculdade de Ciências Farmacêuticas (como Análise de Alimentos e Metabolismo Protéico e Energético; da FSP - Faculdade de Saúde Pública (como Métodos Estatísticos Aplicados à Epidemiologia e Bioestatística). “A meta é formar pessoas capazes de solucionar esses problemas”. 

Com toda sua experiência profissional na área de ensino Campino é contra as sugestões de que o curso de Economia deve atender às especificidades do mercado de trabalho. “O curso de Economia dá uma visão geral e capacidade de analisar problemas, o que proporciona condição do profissional atuar em questões específicas, com uma visão ampla. Na verdade o bom economista tem de saber fazer as perguntas certas, não ter as respostas certas!”. 

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(Copyright Jornal do Economista, 2002-04-28)


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