» Mercado de Trabalho

Economistas ou técnicos em economia?
(Lilian Lopes Ribeiro, 2002-06-22)

Nos últimos anos a oferta de IES (Instituições de Ensino Superior) aumentou muito. Novas instituições com novos cursos.Para se adaptar a nova realidade do mercado e não perder seus estudantes para outros cursos concorrentes como: administração e contábeis, o curso de economia passou a ser quatro anos e não mais cinco.

As IES diminuem a evasão e aumenta a demanda pelo curso. Ao passo que o aluno poupa tempo e dinheiro ao compactar o curso. A pergunta que fica é se saíram economistas ou técnicos em economia.A diferença entre os dois é que um sabe o que Marx quis dizer com exército industrial de reserva e o outro já ouviu falar em mais valia.

O primeiro tem um raciocínio lógico e sabe fazer uma análise macroeconômica das conseqüências de uma reforma tributária, o segundo deduz que reforma tributária é um instrumento de política fiscal do governo.

O acadêmico futuro economista se volta para a verdadeira essência do estudo: a busca do conhecimento. Conhecimento este que fará dele um profissional. Já o acadêmico que sairá técnico em economia se atem a empregabilidade. Ele terá um bacharelado em economia. O que irá garantir sua permanência em um emprego por algum tempo.

Adaptar o curso de economia para quatro anos é deixar de pensar a longo prazo, é cuspir no mercado de trabalho profissionais que sabem fazer, mas não sabem pensar. Cabe a nós analisar se o papel das IES continua a ser a busca do conhecimento científico ou uma simples instituição que serve para fabricar diplomas como pré-requisito para a empregabilidade. Se concluirmos que for o último, lembremo-nos da diferença que há entre o PIB potencial e PIB efetivo, como será que está a diferença entre o que produzimos de conhecimento e a possibilidade de produzirmos mais? A nós fica essa análise.

________________
Lilian Lopes Ribeiro
Estudante, 21 anos.
Academica do curso de economia 


Enviar para amigo

Fazer comentário

Imprimir a página


Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da Economianet - www.economiabr.net