» Mercado de Trabalho

Perfil do emprego na América Latina mudou
(Revista do Mercosul, 2002-07-06)

Pesquisador chileno detecta que, nas últimas duas décadas, decresceu o serviço estável no continente; em contrapartida, aumentou a absorção da 
mão-de-obra temporária

Em 20 anos, não foi só o mercado que mudou. De acordo com a pesquisa realizada pelo chileno Fernando Vigorena, mu dou o perfil do traba lhador latino-americano. Vigorena, pesquisador da Universidad Autonôma do Sul, coletou informações sobre o mercado de trabalho na América Latina desde 1982.

Entre as conclusões a que chegou estão a de que o emprego fixo, com carteira assinada, está sendo substituído pelo trabalho de curto prazo e que a tendência mundial é terceirizar todas as funções possíveis. Segundo ele, estas perspectivas são irreversíveis, e não vão ser contornadas com o crescimento econômico mundial. A sociedade do conhecimento, de acordo com Vigorena, vai gerar menos empregos estáveis do que a sociedade industrial.

Segundo o pesquisador chileno, atualmente, cerca de dois milhões de pessoas estão empregadas em regime temporário por mês no continente americano. O fenômeno, explica ele, não é exclusivo do setor privado. O nível de contratações temporárias, no setor público latino-americano, aumentou, nesses 20 anos, mais de 500%. Muito devido à terceirização.

Vigorena destaca que o aumento do trabalho flexível se dá em velocidade ainda maior do que a redução do emprego estável. A multiplicação de serviços – na maioria terceirizados – de educação, internet, comércio e finanças, por exemplo, está absorvendo as pessoas desvinculadas do mercado de trabalho tradicional. A vantagem para o empresário está na transformação de custos fixos em custos variáveis, o que permite uma agilidade de manobra muito maior nos quadros financeiros das empresas. A tendência, de acordo com o pesquisador, foi gerada, principalmente, pelos altos custos sociais de cada empregado, frente a um mercado que exige produtos cada vez melhores e mais baratos. 

As empresas, assegura o pesquisador, mudaram: perto de 50% delas reduziram pessoal para a metade, contrataram mão-de-obra de salários mais baixos, trocaram funcionário que executava trabalhos rotineiros pelas tecnologias de computador, como o software de gestão, e subcontrataram funções nos setores de serviços, produção e vendas. 

"As fábricas estão agonizando, porque as indústrias hoje não fabricam mais. Na sua maioria, apenas montam, com produção terceirizada e pulverizada. Em suma, apenas têm clientes", sintetiza Vigorena. Ele cita a Benetton como exemplo: “É a maior empresa têxtil do mundo, mas não fabrica nem vende nada: terceiriza ambos os serviços.” 

Em ascensão
As áreas mais promissoras dentro do novo contexto trabalhista são tecnologia; biotecnologia e saúde; educação (principalmente educação à distância); consultoria administrativa; serviços de conveniência; entretenimento, hotelaria; turismo e finanças.

Em queda
Os setores menos favorecidos atualmente são a área industrial, construção civil e intermediação na venda de imóveis e de ações.

A empregabilidade
Vigorena destaca as três características do trabalhador hoje: ser praticamente autônomo, isto é, ao mesmo tempo, empregável e descartável; ter mentalidade de empresário independente; praticar alto grau de flexibilidade. 

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(Revista do Mercosul, 2002-07-06)
site: www.etm.com.br  



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