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Como é a mão-de-obra das  empresas exportadoras
(Revista do Mercosul, 2002-11-11)

Firmas que vendem seus produtos ao exterior empregam mais, pagam melhor e exigem profissionais mais qualificados

Ao contrário do que muita gente poderia supor, os funcionários de empresas exportadoras ganham em média 90% mais do que os empregados de firmas que não vendem ao exterior, tem nível de escolaridade maior e passam mais tempo na companhia. 

O estudo Determinantes das Exportações Brasileiras: Novas Evidências, realizado pelos pesquisadores Jorge Saba Abrache, da Universidade de Brasília (UnB), e João Alberto de Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que o salário médio das exportadoras contraria a alegação de fóruns internacionais de que o Brasil se valeria de social dumping – salários bem abaixo da média de mercado – para ganhar competitividade no mercado externo.

A pesquisa analisou dados dos Ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) de 1996 a 1998. A amostra englobou 31 empresas industriais de todos os setores e cerca de cinco milhões de trabalhadores.

De acordo com os pesquisadores, o funcionário de exportadora ganha, em média, acima de 40% acima de empregados de empresas comuns. A diferença salarial pode ser decorrente de diferenças de educação, gênero, idade e região do país ou pode ainda ser fruto de prêmios pagos pelas empresas exportadoras.

Quanto ao nível de escolaridade, os funcionários das firmas que negociam com o mercado internacional têm tempo médio de estudo de 7,7 anos. Nas outras empresas, os empregados estudam, em média, 6,7 anos. Há variação ainda no tempo de permanência dos funcionários na empresa: 60,6 meses para as empresas exportadoras e 37,3 meses para as que não vendem ao exterior. Com isso, de acordo com os pesquisadores, as empresas gastam menos com treinamento, atração e demissão, além de conseguir maior produtividade.

As exportadoras empregam mais: a média de trabalhadores é de 360,4 por firma, contra 62,3 das empresas comuns. Nas multinacionais que atuam no Brasil, a média de funcionários chega a 761,5.

Importação de recursos humanos vale a pena?
Por causa da recessão econômica, da cada vez menor oferta de empregos e do medo de ataques terroristas, muitos países desenvolvidos como Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Holanda e Itália estão barrando a entrada de mão-de-obra estrangeira em seus territórios – mesmo que ela seja altamente qualificada. Até alguns países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, estão tomando providências semelhantes. O Brasil agora só admite legalmente profissionais que provem ter qualificação sem similar nacional e com experiência mínima na área em que vão trabalhar.

Entretanto, para o administrador de empresas Ricardo de Almeida Xavier, presidente da Manager Assessoria em Recursos Humanos, o controle da entrada de mão-de-obra deveria ser mais bem analisada. Segundo ele, no mundo globalizado, não se pode levantar barreiras ao conhecimento. "Gente bem formada vale ouro, e ouro não se despreza", afirma.

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