» Opinião

A crise na Economia Norte-Americana
(Pedro Paulo Silveira Felicíssimo, 2002-11-25)

Ao final da década de 40 o Plano Marshall para reconstrução dos países da Europa e do Japão significou a injeção de milhões de dólares nas economias combalidas e a moeda americana passou a desempenhar papel único de meio comercial nos contratos e acordos internacionais. 

Porém sua aceitabilidade, credibilidade e estabilidade nas transações internacionais apresentavam um grave paradoxo: como controlar o provável efeito de sobregiro financeiro? Que conseqüências este excesso de oferta de moeda nos mercados traria a economia doméstica norte-americana, mais especificamente, os efeitos sobre o consumo e o nível de preços, à medida que as economias em que ocorreram a injeção de recursos entrassem no ponto ascendente da curva de produção?

O mecanismo de solução encontrado, neste período de transição das economias para controle dos fluxos monetários nas transações internacionais foi o padrão-ouro. Este mecanismo permitia que à medida que as economias em reestruturação obtivessem uma expressiva reserva de moeda em seus bancos centrais, pudessem efetuar a troca pelo equivalente em metal geralmente junto ao Tesouro norte-americano.

As economias européia e japonesa mostraram, porém, um rápido e surpreendente crescimento em apenas 20 anos, o que acabou por inviabilizar e decretar o fim do uso do padrão-ouro como mecanismo de controle cambial da moeda. Também a redução nos gastos governamentais militares, com o fim da corrida armamentista, componente até então expressivo nas curvas de produção, emprego e consumo da economia dos EUA, contribuiu para reforçar o temor de sobregiro na economia monetária internacional.
Medidas tomadas pelos EUA como o endurecimento da legislação antitrustee visava prevenir este problema estrutural da economia e o aumento das barreiras tarifárias e não tarifárias (protecionismo comercial), o aumento expressivo dos empréstimos intergovernamentais e também via FMI como forma de redirecionamento dos fluxos do dólar, contribuíram para a estagnação e endividamento das economias dos países em desenvolvimento na década de 80.

O "coup du tout" veio com a adoção do Euro em 2002 como moeda no grupo dos países da União Européia, o que permitirá antever em um prazo de 5 a 10 anos, que a maioria dos contratos e acordos internacionais passem a ser realizados nesta moeda agravando a crise.
As conseqüências então na economia americana com reflexos na economia internacional podem ser previsíveis em médio prazo:

(i) Aumento do nível de consumo interno, elevação dos preços e da taxa de inflação, aumento das taxas de juros como medida para captação de poupança interna.
(ii) Queda nos preços das ações e títulos e decréscimo da atividade industrial. Aumento dos investimentos externos norte-americanos e maior abertura comercial dos EUA às importações
(iii) Aumento dos empréstimos intergovernamentais, privados e via FMI aos países em desenvolvimento.
(iv) Pressão para implantação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

Todas estes fatos enfrentarão a saudável concorrência da União Européia com benefícios às economias dos países em desenvolvimento entre aqueles que oferecerem maior atrativo à captação destes recursos.

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Pedro Paulo Silveira Felicíssimo,
economista e Consultor em Comércio Exterior.
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