» Opinião

A Escassez de água no mundo
(Elvis Albert Robe Wandscheer, 2003-01-06)

Temos nos preocupado constantemente com racionamentos e cortes de bens e serviços indispensáveis a nossa sobrevivência. De tal forma, que acabamos nos sentindo amedrontados, ameaçados no nosso dia-a-dia. O custo de vida, conseqüentemente, acaba aumentando, devido aos incessantes reajustes nas tarifas desses bens e serviços. Logo, somos obrigados a tomar alguma atitude, ou seja, cortar gastos de setores das nossas finanças em que ainda tenhamos algo a relegar, ou conseguir alguma forma de ganhar mais, aumentando assim, o nosso poder aquisitivo.

A água é um desses bens indispensáveis, sem as quais não poderíamos viver. Ainda que na atualidade a falta desse bem não se apresente como um grande problema para a América Latina e, em especial ao Brasil, este é um tema de suma importância a todos nós. Em uma rápida síntese sobre as condições da água, vemos que apesar da terra ser coberta por cerca de dois terços de água ou mais precisamente 71% da superfície, o planeta está começando a passar por problemas de escassez da mesma. Do total de água existente no mundo 97,5% são de águas que se encontram nos Oceanos, ou seja, água salgada, restando apenas 2,5% de água doce. E nem mesmo esses 2,5% podem ser totalmente aproveitados, pois 1,75% se encontram em calotas e geleiras polares, restando tão somente 0,75% desta água podendo ser considerada aproveitável. Devemos ressaltar ainda que essa quantia deverá ser dividida entre 6 bilhões de pessoas (total de habitantes no mundo). Devido a esse problema, já vemos em vários locais do mundo, principalmente no Oriente Médio (onde o problema é mais grave), as constantes desavenças que a escassez de água vem proporcionando.

Sendo a economia uma ciência humana aplicada, que tem como objetivo buscar o equilíbrio entre bens, serviços e recursos naturais (ambos limitados), e as necessidades humanas (ilimitadas e crescentes quanto maior o bem estar dos indivíduos), passa a ser de grande importância no âmbito da mesma o debate a respeito do assunto. Na ótica da Ciência Econômica é exatamente o aumento da escassez que trará a solução ou pelo menos uma relativa melhora para esse problema, pois a medida que a água deixa de ser um bem em abundância no meio ambiente, as empresas passarão a ter maior interesse em comercializar a mesma, trazendo inovações e tecnologia para solucionar os problemas de poluição dentre outros existentes. O problema da atualidade então, quanto a esse bem, é o fato de que o mesmo não apresenta-se com valor no mercado. O que é pago é tão somente os serviços prestados por essas empresas fornecedoras. E ainda assim um valor considerado baixo para que hajam investimentos de peso na área.

Assim, a sociedade não pode simplesmente esperar até que chegue o momento em que a água tenha um "valor comercial", porque ao chegarmos nesse ponto seremos obrigados a pagar o preço que for cobrado, devido ao fato de não possuirmos qualquer poder de barganha, tendo que acatar sem restrições, a todas determinações tomadas a respeito. Neste contexto, os empresários, como bons capitalistas, poderão agir sem preocupação com o social, tendo como único e exclusivo interesse o máximo lucro de suas empresas. É por isso que ambientalistas bem como departamentos e ONG's responsáveis pelo meio-ambiente, vêm a algum tempo ressaltando a necessidade da preservação, elaborando análises e providências para os problemas existentes, bem como chamando a atenção para os desperdícios.

Dessa forma, vemos que o fator essencial para a resolução do dilema água é a conscientização da sociedade em geral para uma educação ambiental. Preocupação essa que deve constar no âmago da sociedade. Somente assim poderá obter novamente o reequilibro ambiental, solucionando ou pelo menos minimizando um problema que tende a ficar cada vez mais grave num futuro próximo, apresentando-se desde já como uma das maiores ameaças do século XXI.

____________________
Elvis Albert Robe Wandscheer, estudante do curso de Economia da Unijuí
Outros artigos do autor
 


Enviar para amigo

Fazer comentário

Imprimir a página

Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da EconomiaNet - www.economiabr.net